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Gisberta, uma peça

por Paula Antunes, em 10.04.13
Rita Ribeiro regressa ao teatro como mãe de

A atriz Rita Ribeiro, que neste momento pode ser vista na novela "Doida por ti", na TVI, vai regressar ao teatro para interpretar "Angelina", a mãe de Gisberta, uma transexual que foi barbaramente assassinada no Porto, em 2006. "Gisberta" é um monólogo de uma mãe com dificuldades em aceitar a diferença do "seu menino".

Da autoria do encenador brasileiro Eduardo Gaspar e com o estilista Dino Alves a assegurar o figurino, "Gisberta" sob à cena a 1 de maio, no Teatro Rápido, em Lisboa, um espaço teatral inovador onde as peças têm uma duração de 15 minutos e os preços de entrada são invulgarmente baixos.

Rita Ribeiro, aqui no seu primeiro monólogo em 40 anos de carreira, admitiu, ao JN, "a dificuldade da temática". "Mas este tema não pode ser tabu. A diferença não pode ser um impedimento para amarmos. Amar é aceitar o outro e não tentar que ele seja como nós queremos. Por isso, aqui estou eu, como uma mãe, com uma enorme incapacidade em perceber porque razão 'aquele menino' que ela recebeu nos braços se torna numa mulher. Mas que ama. E é importante perceber o contexto dos familiares destas pessoas e da identidade de género na sociedade atual", explicou a atriz, conhecida por papéis como 'Maria Callas', uma encenação de Filipe La Féria.

Em palco, onde Rita Ribeiro irá relatar a um jornalista a vida daquela mulher transexual, haverá uma interpretação em vídeo de "Gisberta", assegurada por Lara Crespo.

Segundo Eduardo Gaspar, a peça surgiu aquando do assinalar dos sete anos da morte de Gisberta, em fevereiro último. "Queria construir algo sobre a temática 'Mãe'. Quando vi essa notícia questionei-me: como é que será para uma mãe ter uma filha transexual? Daí, a falar com algumas pessoas sobre o assunto, foi muito rápido e surgiu a ideia da peça", disse, esta quarta-feira.

Com 46 anos e oriunda de São Paulo, Gisberta foi assassinada no fosso de um prédio em obras no Porto, por jovens, na maioria alunos internos da Oficina de S. José. Foi espancada pelos homicidas durante três dias e atirada para o tal poço , onde acabou por morrer afogada.

É verdade que os menores acabaram condenados por maus tratos - com penas entre os 11 e os 13 meses de internamento; porém, o Ministério Público deixou cair a tese de homicídio porque a autópsia, que consubstanciava a acusação não apontava as lesões provocadas pelos jovens como causas da morte.

 

JN - NUNO MIGUEL ROPIO

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Publicado às 17:41



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