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Pérolas..

por Paula Antunes, em 06.10.06
Em arrumações no portátil dei de caras com um texto - que escrevi para uma amiga no passado Inverno:


"Aprendi, há muito tempo atrás - e de vez em quando estupidamente esqueço-me - que há sentimentos, situações, encontros - que não se planejam, nos surpreendem e são impossíveis de controlar. Eu chamo-lhes "Encontros d'Alma". São aqueles raros momentos na vida em que algo nos impele e não há razão lógica que o justifique.

Nessas alturas a maior parte de nós foge. Prefere pensar: "Que parvoíce! Não vou fazer tal coisa! Que pensará ela de mim?" E depois existem pessoas como tu. Corajosas. E não quero ouvir-te escrever que não o és. Eu falo da coragem que implica a entrega de um pedaço de Alma. Não há nada mais humano que permitir-nos ser vulneráveis – só porque o coração mandou, e nós, mesmo envergonhados, lá decidimos segui-lo.

Claro que não consigo comentar o poema – nem era isso que pretendias, bem o sei. Tiveste vontade de o partilhar comigo - contra toda a razão da segurança – e eu estou-te grata. Grata, sim, porque é uma dádiva por si só, e também porque me restaura a crença do que há de melhor no Homem.

Por norma sou pragmática. Muito mais do que as mensagens que temos trocado consentiriam transparecer. Mas sou também, na mesma medida, emotiva – como tal é-me impossível não responder com o coração quando assim me falam. E a eloquência das tuas palavras – mas sobretudo a dos teus gestos - é maior que tudo o que possas hoje imaginar.

Um abraço,
Paula"



É bom sentir que as novas tecnologias não mudam estes acontecimentos: como o descobrir no fundo de um baú as cartas de adolescente ou uma fotografia antiga de um ente querido... :)

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Publicado às 18:13


1 comentário

De Eyre a 05.11.2006 às 10:07

"Os teólogos há muito o notaram: a esperança é o fruto da paciência. Deveríamos acrescentar: e da modéstia. O orgulhoso não tem tempo de esperar... Sem querer nem poder estar à espera, força os acontecimentos, como força a sua natureza; amargo, corrompido, quando esgota as suas revoltas, abdica: para ele, não há qualquer forma intermédia. É inegável que é lúcido; mas não esqueçamos que a lucidez é própria daqueles que, por incapacidade de amar, se dessolidarizam tanto dos outros como de si próprios."

Emil Cioran, in 'A Tentação de Existir'

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